Uma história sobre liderança comunitária, governação local e o reconhecimento oficial de Mabu como Área de Conservação Comunitária.

O reconhecimento de Monte Mabu como Área de Conservação Comunitária representa um momento histórico para a conservação em Moçambique e, sobretudo, para as comunidades que vivem em redor desta paisagem única da Zambézia. Durante anos, estas comunidades mantiveram uma relação profunda com a floresta, protegendo nascentes, conhecendo os trilhos, respeitando áreas sagradas e dependendo dos recursos naturais para a sua sobrevivência.

A criação da Área de Conservação Comunitária reforça este papel de guardiãs da natureza. Através da ConservaMabu e dos comités comunitários, as comunidades passam a ocupar um lugar central na gestão dos recursos naturais, na tomada de decisões e na definição do futuro da paisagem. Este modelo reconhece que a conservação só é duradoura quando envolve directamente as pessoas que vivem próximas dos ecossistemas que se pretende proteger.

O processo até este reconhecimento envolveu organização comunitária, delimitação da área proposta, fortalecimento de estruturas locais de governação e colaboração entre comunidades, Governo, WWF, parceiros da sociedade civil e instituições de apoio à conservação. Mais do que uma decisão administrativa, este marco confirma uma visão: Monte Mabu pode ser protegido com as comunidades, pelas comunidades e para benefício das comunidades.

A nova Área de Conservação Comunitária abre caminho para uma gestão mais participativa da floresta, para a protecção da biodiversidade e para o desenvolvimento de alternativas económicas sustentáveis, como agricultura de conservação, apicultura e ecoturismo comunitário. Em Mabu, conservar significa cuidar da floresta, mas também criar oportunidades para que as famílias possam viver melhor, com dignidade e esperança.